07/06/2013

Uma Xícara perfeita de Café.


André entra na cafeteria apressado pela chuva fria que cai em Curitiba no mês de agosto. Em um descuido deixa que a porta bata atrás de si chamando a atenção de algumas pessoas. Tímido e sem jeito com um pedido de desculpas baixinho entre os lábios caminha em direção ao balcão e senta-se em um lugar vago la no final. Pede um café com leite. Olha para os lados pensando se alguém ainda estava prestando atenção nele, por causa daquela batida da porta, mas as pessoas pareciam entretidas em seus próprios assuntos. Uma mulher de casaco escuro que falava ao celular e tinha joias em todos os dedos de suas mãos, bebia um cappuccino. “Madame sustentada pelo marido”. Pensou. Um grupo de meninas adolescentes debruçadas sobre seus smart phones riam e falavam alto algo sobre um artista qualquer. “Essa geração inútil é nosso futuro? Estamos ferrados”. Continua vasculhando o ambiente e colocando defeito em todos. "Hábito detestável esse seu de colocar defeito em todos que nem conhece direito". Disse-lhe sua ex noiva antes de jogar no chão a aliança e ir embora. Ele dizia que não era um simples hábito e sim a habilidade de poder ver as pessoas como elas realmente são. Segue com seu escrutínio sobre o local até que em uma mesa sem ninguém, vazia exceto por uma solitária xícara de café ainda quente chama sua atenção. Era uma simples xícara com café com leite dentro, sobre a espuma do leite uma camada de canela em pó parecia dar aquele simples café algo de mágico como se fizesse parte de um filme.
—Seu café Senhor. O garçom coloca diante dele uma xícara, sobre um pires entre uma colher e um biscoito de chocolate. Dentro dela café com leite tão quente que a espuma branca que se forma ameaça sair pelas beiradas da xícara, mas no seu não havia canela. Olha para os lados pode notar que todos os presentes tem em suas mesas um conjunto de louça branca parecido com o seu, com cafés, chocolates, capuccinos, todos quentes e fumegantes enchendo o ambiente com aroma de café e especiarias. “Aposto que todo mundo pediu canela, gente sem criatividade”. Pensou, apesar de não conseguir ver quais tinham ou não aquela linda camada de canela que estava ausente sobre o seu.
Um trovão assusta algumas pessoas enquanto André olha para aquele café solitário, esfriando ao lado da janela, onde gotas de chuva correm apressadas pelo vidro. Enquanto isso o café continua lá fumegando como se fora colocado sobre a mesa depois do seu. O seu parecia fazer menos fumaça, parecia mais frio, será por que no seu faltava a camada de canela? Seria tarde para pedir? Onde estaria o dono daquele café? Devia estar no banheiro, pois se tivesse ido embora teriam retirado o café da mesa e ele poderia estar sentado ali, aquela mesa perto da janela era melhor que sentar no balcão. No balcão parecia que estava em um boteco e seu banco era alto demais, fazendo-o ficar encurvado. Naquela mesa ele poderia ficar mais confortável poderia ver o movimento na rua e as gotas de chuva na janela e seu café não seria como o que tinha em sua frente, que já havia esfriado e ele nem dera a primeira provada, seria como aquele que fora servido antes e ainda fumegava, sua fumaça subia até o teto de tão quente. No teto ele poderia apostar que ela embaçava os vidros dos lampiões antigos que decoravam o lugar. Pegou sua xícara levou a boca, não provou, parou antes de beber, não conseguia parar de olhar mesmo com o canto do olho, aquele café na outra mesa que parecia incrivelmente melhor do que o seu.
Já pensava em pedir a canela ou até mesmo outro café quando uma porta se abriu logo atrás do balcão, uma jovem loira, alta e elegante como uma atriz de cinema caminha sorrindo em sua direção enquanto conversa com alguém. Ambos passam pelo balcão e se dirigem para aquela mesa.
—Acho que meu café já deve ter esfriado. Comenta a jovem enquanto pega a xícara.
—Pode pedir outro, a culpa é minha mesmo por ter te segurado no escritório. Diz o homem enquanto acena para o garçom.
—Não tudo bem ainda está quente. Ela nem percebe que no balcão um homem olha para ela sem saber qual delas admirar, se a moça ou seu café. Ele diz a si mesmo que fazia muito sentido que aquele café fosse pertencesse a uma mulher bonita como ela, mas ao perceber que em apenas dois ou três goles ela bebe todo o café como se não desse nenhuma importância, como se tomar cafés perfeitos como aquele fizesse parte de seu cotidiano, ele sente uma grande frustração. "Garota mimada" pensou. "Sim, mimada e ainda pior, cheia de vontades acostumada a todos fazendo tudo o que ela quer a todo tempo, por isso nem se dá conta de que aquela caneca de café era perfeita". Perfeita demais pra ser tomada de forma tão displicente. O mundo é assim mesmo, hoje em dia ninguém da valor a nada, só se importam consigo, sem prestar atenção ao redor. Olha seu café sobre o balcão e sem nem ao menos tocá-lo ele se levanta e vai embora. Ao sair deixa a porta bater novamente, chamando a atenção de algumas pessoas incluindo o garçom que estranha o fato do cliente ter saído sem ter sequer provado seu café, deixando-o ainda quente sobre o balcão. E enquanto caminha debaixo da chuva fria, irritado por ser o único a perceber a beleza e a sutileza que existe no mundo, André não consegue ouvir uma exclamação da moça na cafeteria.
—Que delícia de café!






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03/06/2013

Tente Outra Vez.

Como dizia Raul, " Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus tenha fé na vida.....". Depois de quase dois anos de abandono completo estou aqui de novo escrevendo para meu blog, que começou simples, ficou complicado e depois simples de novo. Se alguém me perguntasse o por que desses dois anos sem publicar nada aqui eu não sei se saberia responder. Não sei se por bloqueio criativo, se por preguiça ou por medo. Tudo o que sei e posso afirmar com certeza é que eu estou aqui escrevendo mais um post. Sem grandes pretensões, sem muito planejamento, apenas tentando outra vez, não que algum dia tenha desistido de tentar ser escritor, não é isso, mas cheguei a pensar que eu não poderia vir a sê-lo. Como se para ser escritor houvesse um vestibular dificílimo ode apenas pouco eleitos conseguem êxito. Felizmente ou infelizmente não há, só  que há é o desejo de escrever concretizado em um papel ou tela de computador, pois em meu modesto entendimento eu sou escritor no momento em que escrevo, assim como alguém é jogador de futebol no momento em que entra em campo. Ser um jogador profissional ou no meu caso um escritor publicado por uma editora (algo que espero ser no futuro), ai já é outra história.
Independente de ser ou não publicado algum dia, decidi que eu sou um escritor, mesmo que faça um concurso para técnico bancário para pagar as contas,  ou mesmo que jogue um ou outro torneio de pôquer on line de vez em quando. Eu sou escritor e resolvi voltar a escrever não somente aqui no blog, mas também em alguns concursos literários.
Assim sendo espero que tenham sentido minha falta e espero mais ainda que fiquem felizes porque eu agora decidi não tentar outra vez, mas sim realizar um sonho que não tenho o direito de deixar para trás.
Desejo coragem para todos aqueles que empreendem sua jornada por estradas muitas vezes escuras e solitárias, pois a coragem é o primeiro teste do caminho.
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04/07/2011

Um recado de São Francisco de Assis pelos amigos bichos que se foram.

Esta oração é para Totó, que foi uma grande amiga por longos 17 anos, que sempre alegrou a todos que a conhceram.
Adeus querida..agora você vai brincar com a Boninha no céu.

Sei que uma lágrima de dor escorre dos teus olhos
agora e no dia em que o teu irmão se foi,  e se afastou
de ti e se aproximou de Deus.
Todavia, dou-te uma nota feliz neste dia tão triste:
Jamais Deus teria sido injusto com os animais!
Por isso, não importa quem está nascendo ou morrendo,
 há sempre alguém chamando por ti,
Então, VIVA!

Agora mesmo, neste exato instante em que choras,
 teu bicho estimado segue e evolui…
Brilha na imensidão do espaço e volta, manso, ao seu
aconchego das almas!
Com tua mania racional, teimas continuar duvidando…
Mas nada importa, senão continuar VIVER.

As hostes dos anjos e Francisco
cuidam das luzes em pêlos
e preparam suas patas para uma nova vida.
Enxuga assim teu rosto e acredita!
Fizeste a parte que te cabe neste mundo.
Que um sonho jamais termina num último miado
e nem tampouco se pode calar os latidos de um dia…
Então podemos sonhar novamente…

E VIVER!

É que o Criador adora as suas crias!
E deixa que elas permaneçam sempre vivas,
na memória de quem fica ou mesmo até que um
Novo homem se forme!

Porque os anjos têm asas como as aves.
Porque os homens têm pelos como os bichos.
E todos nós temos alma como Deus!

Seja nos quintais, nas árvores ou nos rios!
Seja nos mares, nas florestas ou nos lares!
De uma vez por todas:  Sempre estaremos VIVOS!
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04/02/2011

Londres de Elisabeth.

Elisabeth é uma jovem que caminha sozinha pelas ruas de Londres, vestindo um colete negro sobre um vestido roxo de mangas longas e um pequeno chapéu, trajes que em nada denunciam sua forma de ganhar a vida, ela é uma prostituta e está a caminho do “Cordeiro”, um conhecido prostíbulo entre os mais de 62 em Whitechapel na Londres de 1880.

Ela não se importava em ser prostituta, claro que havia inconveniências, como um ou outro cliente abusado ou violento, ou sujo. Pelo menos o Cordeiro não era o pior lugar da cidade, não deixavam entrar nem chineses, negros e nem indianos. Uma vez um chinês entrou e levou uma surra da qual ainda não há de ter se esquecido. E claro de vez em quando um cliente legal aparecia, algum jovem carinhoso e rico, algumas vezes até levavam-na para casa de carruagem.

Ganhava seu dinheiro, era pouco, mas em um país de desempregados, protitutas e imigrantes mortos de fome. Dizia a si mesma que tinha sorte.

Continuou caminhando, não muito depressa, tinha algum tempo e estava uma agradável tarde de outono. Passou por um teatro, onde as carruagens logo começariam a desfilar trazendo os espectadores e admiradores de teatro para verem mais uma peça. Não sabia disso por freqüentar teatro, mas por que os freqüentadores, geralmente distintos cavalheiros que deixavam as esposas em casa depois da peça e se dirigiam para o Cordeiro, para encenar outro tipo de peça na qual eles não se contentavam em apenas assistir.

Passou por alguns chineses que carregavam uma carroça, sentiu um pouco de asco, não gostava muito daquela gente estranha, apesar de confessar a si mesma certa curiosidade em saber como eram na cama, mas assim como eles não eram bem vindos onde trabalhava, ela também não iria ao bairro chinês, pois as prostitutas chinesas a matariam, não valia o risco não gostava deles mesmo. Gostava dos italianos e dos franceses, achava-os mais agradáveis.

Já a algumas quadras do Cordeiro, uma colega veio em sua direção.

—Liz você não sabe o que houve hoje.

—O que?

—Aquele seu cliente irlandês, David, foi morto pela polícia.

—Serio? Que pena, eu até gostava dele, claro quando não estava resmungando sobre a independência da Irlanda do Norte e sobre o tratado de unificação de 1800.

As duas riram.

—Verdade seja dita ele era melhor de boca fechada, mas o que ele fez?

—Parece que o pegaram com uma grande quantidade de pólvora, acham que estava planejando algo, um ataque ao parlamento talvez.

—Imagine só o Dave, eu que achei que ele não era de nada quando estava sóbrio.

Riram novamente.

—O lado bom de morar na maior cidade do mundo é esse, tem todo tipo de gente aqui, mas o lado ruim é também o fato de que tem todo tipo de gente por aqui. Falou, enquanto cruzavam uma rua escura, tinha uma sensação estranha sempre que passava pela Rua Berner.

Nota do Autor: Este conto foi escrito para um desafio de literatura, ambientado na Londres de 1800, alguns anos antes do evento atribuídos ao assassino serial conhecido como “Jack o Estripador”, que atuou no condado de Whitechapel na segunda metade de 1888, próximo em ruas como a Berner.

O desafio de literatura do qual participei chama-se “Desafio dos Escritores” organizado pelo site “Literatura de Câmara” (http://literaturadecamara.sites.uol.com.br/).

O texto acima foi publicado na primeira semana do 6° Deafio “desafio de verão” de janeiro deste ano.

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28/01/2011

Aviso para quem visitar a minha casa!!

1. Seja bem-vindo.

2. Lembre-se de que os cachorros vivem aqui. Você não.

3. Se você não quer pêlos de cachorros em suas roupas, fique longe dos móveis.

4. Sim, os cachorros têm hábitos desagradáveis. Eu também, assim como você. E daí?!

5. CLARO que eles cheiram a cachorros. Já percebeu como nós, humanos, cheiramos ao final de um dia de trabalho? Coloque-se no lugar de alguém que tem um olfato 400 vezes mais sensível que o seu e sempre o receberá com explosões de carinho no retorno ao lar.

6. É da natureza deles tentar cheirar você. Por favor, sinta-se à vontade para cheirá-los também.

7. Se existisse algum risco dos cachorros mordê-lo, eu não os deixaria se aproximar de você. Porém, não posso impedi-los de responder a agressões, as quais podem ocorrer até em pensamento, seja para com eles, seja para comigo a quem devotam fidelidade. Os cachorros percebem, tenha certeza.

8. Você já tentou beijar alguém e recebeu em troca um empurrão? Se um cachorro tentar lambê-lo é porque aprova sua presença e quer demonstrar isso carinhosamente a você; e lembre-se que cachorros não mentem ou fingem.

9. Aqui cachorros recebem devidos cuidados veterinários, alimentação sadia e cuidados higiênicos. Sua companhia é altamente recomendada pelos médicos, e a maioria das doenças que contraímos ao longo da vida com certeza nos são transmitidas por outros humanos.

10. Há diversas situações nas quais cachorros são preferíveis a pessoas. Afinal de contas, sempre podemos confiar inteiramente em sua fidelidade e sinceridade.

11. Para alguns eles são simples cachorros. Para mim são filhos adotivos que andam de 4 e não falam tão claramente. Eu não tenho problema em nenhum desses pontos. E você?

12. Volte sempre que quiser, pois será bem-vindo. Até pelos cachorros. Eles são mais sensíveis que nós, bastando se aproximar para distinguir com clareza verdadeiros amigos de pessoas falsas.

AUTOR DESCONHECIDO.

Retirado do site da sociedade protetora dos animais de curitiba:

http://www.spacuritiba.org.br/

Link para a página: http://www.spacuritiba.org.br/novo/mural_pt.html

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06/01/2011

Feliz Ano Novo.....

Ano novo vida nova, o que foi, foi-se embora  espera-se, não vai mais voltar.
O passado que fique por lá, preso cá por lembranças e algumas lições...mas não tente mais voltar.
Coisas que perdemos e outras que queremos, mesmo sem delas precisar, mas juramos que são de necessidade extrema, urgentes e imprescindíveis.
MAis um ano se passou, ouvimos fogos, contagens regressivas e aquela velha musiquinha do "adeus ano velho,,,feliz ano novo..." desejos de esperanças e dias melhores dos amigos...velhos desejos renovados pela calendário....velhas esperenças ressucitadas pelos fogos do dia 31.
O ano novo começa com uma festa e termina com uma festa...ambas cheias de desejos e sorrisos....o problema é o intervalo entre elas, quando os problemas te atropelam e o dia a dia te sufoca...quando os amigos somem e te largam bebado na balad .....(hummmdeixa pra lá).
Quando estiver deprimido,,,,atolado em dívidas.....cheio do seu chefe mala...bebaco vomitado babado na porta da zona ou da casa da namorada que não sabe se segura o pai dela ou o ajuda a te enfar a mão....lembre-e .......tudo fica bem quando acaba bem não é?......ENTÃO BELEZA...MESMO QUE ESTE AO SEJA UMA MERDA........TUDO VAI ACABAR NUMA PUTA FESTA.....COM FOGOS E MUITOS DESEJOS DE DIAS MELHORES DE UM ANO MELHOR,,,,VELHAS ESPERANÇAS,,,VELHOS DESEJOS......(BLABLA..BLA..BLA).ENTÃO:
FELIZ ANO NOVO!!!!!
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27/12/2010

Um Homem Caído na Calçada.

— Não acredito nisso, as pessoas fingem que nem estão vendo aquele pobre coitado caído ali no chão.
— O quê filhinha?  Sua mãe nem desviara os olhos da vitrine.
Alessandra virou-se e olhou a mãe com um misto de surpresa e indignação.
— Não acredito, a senhora também vai fingir que não está vendo nada?
— O que foi filha. Virou-se e viu um mendigo caído na calçada debatendo-se em uma convulsão. Imaginou de pronto que o cheiro que aquela pessoa devia exalar tornaria proibitiva sua aproximação. Então votou- se para sua filha.
— Deve ser por causa de drogas.
Atônita Alessandra viu sua mãe virar as costas e entrar na loja. Voltou sua atenção para o outro lado da rua, onde o mendigo ainda se debatia e resolveu ir ajudar.
— Como é que pode, ela é médica como pode virar as costas desta forma ao sofrimento alheio?
Aproximou-se ainda espantada com a reação das pessoas que desviavam e até pulavam sobre o homem caído ali. Abaixou-se e tentou colocá-lo de lado. Pois ouvira admirada sua mãe falar em uma palestra sobre primeiros socorros que esta é a melhor posição para manter uma pessoa que estiver em um ataque convulsivo.
— Deixe isto ai moça.
Virou a cabeça e viu um senhor  usando um avental sujo e parado em frente a uma lanchonete, tão suja quanto o avental que ela usava.
— Isso ai é por causa das drogas moça, coisa ruim não presta.
— O cara se deu-se bem. Disse um homem sentado em uma das mesas da lanchonete. — Olha a princesinha que veio tomar conta dele, será que se eu me jogar na calçada vou receber esta atenção toda de uma princesa como você?
Alessandra ouviu aquilo sem acreditar, sua indignação cresceu a ponto de tronar-se raiva e explodiu.
— Isso aqui como o senhor se referiu é uma pessoa e precisa de ajuda, porque que ao invés de criticar não ajuda usando seu telefone para chamar os bombeiros? E você ai. Dirigiu-se ao homem sentado na mesa. —Acha que ele está com sorte? Que tal trocar de lugar com ele, acha que ele esta se divertindo então olha bem pra ele.
O homem fez de conta que não ouviu.
— Olha cretino. Alessandra falou tão alto que assustou o sujeito, que virou-se e viu o mendigo deitado babando e batendo seu rosto na calçada.
O homem de avental sujo ainda estava parado em frente à lanchonete retrucou.
— Você está ai posando de boazinha isso é sentimento de culpa, porque você é rica tem dinheiro, ta com pena do drogado ai então leva pra casa, vai leva esse fedido aí pro teu mundinho cor-de-rosa.
— É leva pra casa, eu que não gasto meus créditos de celular pra chamar ambulância pra mendigo, você que esta ai querendo mostrar que menina rica também tem coração leva ele pra fazer compra no shopping.
— Pior do que a culpa que eu possa estar sentindo por causa da desigualdade social é a indiferença que vocês demonstram perante o sofrimento alheio, pois essa desigualdade conseqüência de uma sociedade injusta, mas esta indiferença que cada um demonstra é uma característica individual.
Diante do silencio dos homens que a criticavam continuou.
— As condições nas quais eu vivo não me tiram o sentimento de solidariedade para com meu próximo, pelo contrario me aproximam deste sentimento não pela culpa, mas pela boa vontade de ajudar outro ser humano. Vocês deviam se envergonhar por não fazer nada diante disto, pior do que as pessoas que passam e fingem não ver o que está acontecendo, os senhores ficam assistindo e em tudo que podem pensar é em economizar a porcaria dos créditos do celular com um telefone público bem na sua cara.
Uma ambulância do corpo de bombeiros parou ao lado e três pessoas desceram com mochilas azuis.
— A Srta é parenta dele?
— Não eu só estava passando quando vi caído na rua, ele estava tendo convulsões e então o virei de lado.
— Foi a Srta que acionou o resgate?
— Não! Não sei que chamou.
— A Srta é conhecida dele. Outra socorrista perguntou.
— Não só estava passando.
— O que será que ele tem? Perguntou ao socorrista.
— Deve ser crise de abstinência por causa de drogas ou álcool.
Depois de alguns procedimentos que só sua mãe entenderia eles colocaram o indivíduo na ambulância e levaram-no ao hospital.
Alessandra levantou-se e olhou em volta, nada ouviu e viu o homem de avental sujo e o sujeito da mesa, estavam parados em frente à lanchonete começaram a aplaudir a moça que antes criticavam, as pessoas que se juntaram em volta por causa da ambulância aplaudiram também.
— Sabem, porém não praticam! Exclamou.
Quando voltava para a loja onde deixou sua mãe viu que ela estava parada em frente à loja com o celular na mão.
— E então? O que ele tinha?
— O socorrista disse que deve ser abstinência por drogas ou álcool. Mãe você é médica porque não foi lá ajudar?
— Filha eu sou médica não sou Deus, não da pra ajudar todo mundo que a gente vê caída na rua.
— Mas devíamos ajudar, o problema é que a gente não vê as pessoas, mesmo quando quase pisamos nelas. Decidimos não olhar para que não se tornem nosso problema, mas são.
Se não tratássemos essas pessoas como lixo, se cada um que não é Deus e não pode ajudar todo mundo ajudasse ao menos uma pessoa, quem sabe poderíamos diminuir ou até mesmo acabar com este problema.
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26/12/2010

Casas Brancas!


Do alto daquela colina perto da estrada, você pode ver bem longe quase no horizonte um vale de casas brancas. O porquê ninguém sabe, mas naquele vale existe uma cidade onde todas as casas são brancas com telhados marrons, janelas e portas azuis. Olhando da colina todas as casas do vale parecem iguais dentro de pequenos quintais separados por cercas brancas e azuis, mas se você descer a colina e cruzar o rio logo no inicio do vale e passar pelo milharal do inverno, que é chamado de milharal do inverno em todas as estações do ano e mesmo quando ali se planta arroz ou algodão, irá chegar à parte interna do vale vera ruas de pedra com poucas arvores e com algumas pessoas andando apressadas, é pessoas ou pensou que essa cidade era deserta? Do alto da colina não dava pra ver, mas existem pessoas que vivem ali uma vidinha bem normal. Trabalham, alguns no campo outros na cidade, alguns têm fazenda e outros têm comercio.  Subindo a rua principal, mais larga e com arvores de ambos os lados a caminho do centro do vale as casas brancas vão se mostrado cada vez maiores, ainda com cercas brancas e azuis separando os quintais, mas com varandas e jardins vistosos. No centro do vale uma praça a prefeitura também branca, uma farmácia e uma venda, onde um grupo de homens costuma beber antes de ir à missa, não pelos sermões longos e morosos do padre, mas porque as esposas antes de irem à missa se reúnem na casa da dona da cafeteria e depois de muito fofocar ficam de péssimo humor e mulher de mau humor já começa a falar, ou melhor, a resmungar se os maridos faltarem à missa. Tanto a farmácia quanto a venda são branquinhas como nuvens, não tem cercas, mas suas portas são azuis. Em frente à praça uma igreja toda azul. É nesta praça onde as pessoas costumam se reunir e falar dos vizinhos e dos forasteiros. O delegado se encosta toda tarde na porta da delegacia  coçando sua barba como se estivesse prestes a solucionar algum mistério, mas não haviam mistérios ali, pelo menos nenhum relacionado a crimes numa cidade pacata de gente simples. De homens que se reúnem novamente na venda quando conseguem fugir das vistas das esposas e estas se reúnem na frente da igreja. Falam sobre quem aumentou a casa e quem fez uma varanda nova ou um jardim novo. Os homens se perguntam todo dia por que o milharal de inverno se chama milharal de inverno durante o ano todo mesmo quando não há milho plantado lá. E tanto homens quanto mulheres sempre reclamam e muito de um fato de origem desconhecida: Por que todas as casas do vale são brancas?
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Dingo Bell!

Neste natal uma ceia foi posta à mesa, amigos vieram e se uniram aos familiares em torno de uma tradição: a ceia de natal, mas além de se reunir pra comer estar entre pessoas queridas, entre aqueles que amamos, mesmo que por breves momentos nos faz esquecer dos problemas, da violências e hipocrisias que enfrentamos durante o resto do ano. Não que outras reuniões familiares e de amigos não tenham estes efeitos elas tem e muito, mas no natal algo acontece e as pessoas se tornam mais receptivas ao carinho e a amizade, mesmo que os efeitos do vinho deixe alguns mais rabugentos que outros, mas o natal também é aceitar diferenças não é mesmo?
Então neste ano que se finda e no próximos que virão, vamos no reunir mais, vamos comemorar o fato de estarmos aqui nesta vida, não para lamentar os desgostos e amarguras e sim para brindar o bons momentos, as horas que passamos com nossos amigos e com todas as pessoas que amamos.
Feliz natal e feliz 2011 para todos, um brinde a você que está lendo esta postagem, um brinde a seus amigos e aos meus, que todos  tenhamos tudo o que a vida tem de melhor para nos oferecer e quando momentos dificeis surgirem para temperar nossa relação com o resto da criação, vamos aproveitar para tirar-lhes o máximo que pudermos, pois é para isso que eles acontecem.
A VOCÊ SAÚDE!!!
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Ainda penso em você!

Ando pra lá e pra cá pensando em você, nada o que faço me deixa esquecer o que você passou por minha vida, nada do que quero fazer me deixa livre de você, tudo e nada se misturam, melancolia e notalgia, miturada a frustração, o desejo solitario e esperança a esperança de um reencontro.
Onde está você quando as músicas falam seu nome, quando o vento sussurra com sua vóz, enquanto a noite avança sobre mim, implacável, impenetrável e só.
Faz tempo, algun anos que não te vejo mais, nunca mais, não sei se lembras de mim, acho que não, não sei se pensas em mim, provavelmente não. Então por que eu penso em você quase sempre? Rezo para meu anjo me livrar de você, rezo todas as noites. Rezo para te esquecer quase com a mesma frça com que penso em rever-te.
Olha só isso, um cara da minha idade vivendo um amor platônico como esse, o pior é que continuo penando em você e sei que você não vai ler essa postagem, você tem sua vida para viver, tem suas viajens, seu trabalho, sonhos, amizades, desejos, enfim, não deve se lembrar de mim, não tem obrigação de cumprir com as expectativas de um bocó qualquer como eu.
Ainda penso em você!!
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01/12/2010

Hora de correr atrás!

Quiz eu um dia

ser alguém diferente do que realmente sou.

Porque o que era não me bastava para ser eu mesmo

Porque sonhei e consegui me convencer

de que era capaz de tudo.

Com sonhos de vitórias invejaveis

e conquistas e amores perfeitos,

que na verdade são armadilhas

que me prendem em uma rotina viciosa

e cobrem de nuvens minha consciência.

E por isso hoje não tenho certeza se sou capaz de coisa alguma.

Quizera eu, ser alguém de consciência clara desde o princípio.

Não que clareza tenha eu agora,

apenas agora sei que os sonhos

quando não acompanhados

da atitude correta para realizá-los

entorpecem a mente e aprisionam a consciência do sonhador.

Então o sonhador nada mais fará,

além de sonhar sem agir.

As minhas incertezas de hoje

não povoam minha mente com medo do futuro,

mas sim com espeança de que posso começar de novo

no presente.

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Bonie!

Vi nos seus olhos minha linda, a certeza de que o amor puro sincero e incondicional realmente existe.
Vi em teus olhos a docura desinibida de quem não tem vergonha de ser o que é e de demonstrar sentir o que sente.
Você deomonstrou em gestos sutis a fora de um coração que poderia abraçar o mundo. Senti em suas batidas a vida que queria abraçar esse mundo.
Enquanto estivemos juntos você foi a melhor e mais doce criatura da terra, conquistando a todos com seus olhos doces, com seu olhar profundo e cheio de significado. Enquanto esteve conosco nos ensinou que sentir vale a pena.
Quando você se foi? Parece que ontem estava aqui alegre, amorosa, andando pela casa com a certeza de estar no lugar certo, no seu lugar.
Quando você se foi? Há um ano, mas ainda doi a saudade que me faz chorar como no dia em que você se foi. Por quê você se foi?...
Sua docura e seu amor vão ficar para sempre e seu olhar nunca será esquecido e você será para sempre, para mim e para todos que te conheceram, o exemplo de que o amor sincero e absolutamente incondicional existe.
Obrigado Boninha vamos te amar pra sempre.
Bonie!

Bonie!
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11/11/2010

O Barulho Alheio!

Tem musica que não sai da cabeça depois que acaba, não dá pra se livrar delas e quando você acha que foram embora e  está tentando fazer algo como escrever, estudar ou qualquer outra coisa, elas voltam.

Quando essas musicas recorrentes em nossa memória são aquelas que ouvimos no rádio, que colocamos em um CD, até da pra aguentar já que foi uma escolha, mas se ficar com a lembrança constante de uma música da qual gostamos pode ser incômodo, imagina o que é ter a constante recordação do barulho que outras pessoas chamam de música e que pra gente é só barulho mesmo.

Festa no vizinho, não é ruim porque ele está fazendo festa, mas porque geralmente o cara coloca no último volume uma musica insuportável que você já não aguenta mais ouvir, mesmo porque até pra música tem moda hoje em dia e a moda do momento é o tal do “sertanejo universitário”, (que merda é essa?), ou seja, todo mundo ouve as mesmas musicas o tempo todo e não param, para piorar a situação o repertório de letras é escasso, com um número limitado de musicas que são repetidas até a exaustão, e quando finalmente o corno desliga o som o barulho fica na sua cabeça, eu até já sonhei com aquela maldita musica do meteoro.

E aquela droga que algum cretino colocou em um celular que resolve tocar bem quando você está perto, geralmente funk ou “sertanejo universitário”, o infeliz que devia atender logo o telefone, primeiro limpa a gordura do visor com o dedo que não limpa só espalha a gordura ai depois vai ver quem esta ligando, uma ação sem sentido afinal o toque diferenciado deveria servir para identificar a pessoa que está ligando, enquanto isso o sertanejão tá rolando, então ao atender percebe que a ligação é a cobrar e desliga, o infeliz que havia ligado a cobrar liga novamente e o quadro se repete, umas duas ou três vezes.

Falando em brinquedinho eletrônicos cada vez mais acessíveis por culpa da China, temos aquele barulho que alguns adolescentes insistem em fazer com IPhones geralmente dentro do ônibus. Quer ouvir musica no busão? Tudo bem, mas usa a porra dos fones de ouvido pelamordedeus, porque dai só você ouve isso, mas não eles não só não usam os fones como aumentam o volume e ficam fazendo pose, achando que estão abafando ou fazendo um favor a quem está perto e dentro do ônibus, ou seja não da pra sair de perto, todo mundo que está por perto quer matar o cara, mas ele acha que está com tudo.

O ruim mesmo, o realmente ruim é quando um animal qualquer resolve colocar em seu carrinho 1.0 já com uns 10 ou 15 anos de estrada aquele super equipamento de som que basicamente se resume a um monte de cornetas e alto-falantes no porta-malas, equipamento este que mesmo sendo de qualidade duvidosa vale mais do que o carro onde está montado. Munido de todos os alto-falantes que um carro popular pode carregar, alguns CDs com os Hits do momento (As melhores do Pancadão do Dj Boca de Lixo e ou O Festival Sertanejo 15) o indivíduo resolve sair, a qualquer hora do dia ou da noite e isso inclui a madrugada de qualquer dos dias da semana, pela cidade  exibindo todo seu poder. Achando que está todo mundo olhando e morrendo de inveja.

Se eles imaginassem o que algumas pessoas tem vontade de fazer quando eles passam.

Não me entendam mal, gosto de ouvir musica, principalmente no carro e acho que todos temos o direito de ouvir aquilo que nos agrada, mas tem gente que extrapola esse direito e acaba invadindo o direito das outras pessoas. A educação ou a falta dela faz com que não nos importemos com o incômodo que as vezes causamos no outro que não tem obrigação de gostar do mesmo estilo de musica que ouvimos, na verdade algumas pessoas não só não se importam como parecem sentir prazer em incomodar.

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03/08/2010

Encantado.

Estou encantado por um sonho, uma paixão sei lá. Não sei bem o que é. Eu a vi por alguns minutos enquanto conversava com outra pessoa, ela conversava não eu. Eu apenas olhava.
Quem seria ela afinal? Não era assim tão bonita como podia encantar alguém assim? Pensando melhor ela é bonita sim, uma mulher dona de uma beleza fora do padrão, não a beleza efêmera da juventude que se baseia apenas na harmonia entre a anatomia e massa corporal. Ela não se encaixa realmente nesse padrão, sua beleza se estendia para além do físico, tem aquele "algo mais". Rosto marcante, soriso suave quase inocente, olhos vibrantes, apaixonantes com aquele olhar de quem faz da vida seu sonho, um olhar de feliz e ao mesmo tempo desafiador.
Mas o que é isso? Até parece que voltei a ser um adolescente com seus amores platônicos por uma professora ou uma colega de sala. Mas é exatamente um amor platônico, destes que nunca morrem, mas que só fazem bem porque ela será sempre perfeita e eu nunca mais irei vê-la novamente e nunca poderei dizer-lhe como eu a vejo neste momento.
Ela se levantou e foi embora, afinal não iria ficar ali para sempre. Deve estar por ai em algum lugar encantando pessoas, com sua vóz, seu sorriso, seu jeito. Eu vou embora também.
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31/07/2010

Perambulando.

Peranbulando por ai, correndo atráz de nada e de tudo o que faz e não faz sentido, é como se andasse em circulos o dia todo, vou dormir com dores no pés e nas pernas, cansado de tanto perambular por ai, lembro dos versos de uma música que sempre dizia que o tempo não para, tenho medo então de estar perdendo o meu tempo andando na direção contrária , sem resutados práticos sem pódio de chegada ou beijos de namorada. É estive por ai me esquecendo de muitas coisas e cultivando velhos hábitos que já devia ter deixado para tráz, estes hábitos que ão conseguimos esquecer por acharmos que fazem parte do que somos, mas que na verdade podem mesmo é nos impedir de seguir em frente. Quando nos prendemos aos velhos costumes e manias estamos na verdade nos estagnando no medo e na vergonha de mudar de fazer algo diferente.
Tudo isso que escrevi aqui pode não fazer sentido, mas não precisa, tudo o que precisa fazer sentido é a busca incessante que todos empreendemos a cada dia, sem saber direito as vezes para onde seguir, mas com esperança de que no futuro o ontem não deverá se repetir amanhã.
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17/05/2010

Saudade

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
                                                             (Pablo Neruda).
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16/05/2010

A UM AUSENTE

A UM AUSENTE
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste
                                                  (Carlos Drummond de Andrade).
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Apesar de tudo Sorria.

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz.
                                        (Charles Chaplin).

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29/04/2010

Desafio Literario.

O site Literatura de Câmara está promovendo seu 5° Desafio aos Escritores, uma oficina literária a ditância que proporciona aos escritores participantes um aprendizado incrivel pela avaliação dos trabalhos enviados por jurados com um profundo conhecimento no assunto.
Eu infelizmente tive de me retirar do desafio na 2° semana, mas quero deixar aqui publicado meinha felicidade em participar e meu agradecimento aos jurados pelas avaliações de meu trabalho, só o fato de saber que estas pessoas leram algo que eu escrevi e deram-se ao trabalho de dar uma nota a este meu trabalho, me agrada muito.
Claro que algumas aaliações do primeiro texto que enviei não foram das melhores, por este motivo quero também agradecer por suas crítícas graças as quais eu vislumbrei um caminho para aprimorar meu trabalho.
Aos que no desafio permanecem, boa sorte e parabéns.
Agora me dedico a outro desafio, o Desafio Literário Baseado em Imagens do site contos fantasticos: www.contosfantasticos.com.br.
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21/04/2010

A Inconfidência Intima e Pessoal de Joaquim José !!

Em um dia quente, destes bem abafados que fazem a gente suar na toalha enquanto se enxuga depois de tomar banho, Joaquim caminhava pela cidade sentindo como se fosse desmaiar, não era só pelo calor, pelas roupas já empapadas de suor, mas por um desconforto mais intimo que isso.
            — Por que em nome de Deus nós temos que agüentar isso? Pensava enquanto sua angustia dificultava ainda mais seus passos no velho calçamento de pedras negras da rua.
            — Eu não sei se consigo agüentar por mais tempo essa tirania que há muito castiga os homens, indiferente de origem, raça ou credo. Meu pai sofreu por isto lembro-me dele falando o quanto doía ter de se submeter a essa opressão.
Ele dizia:
            — Filho, não adianta tentar fugir, estamos todos presos a este destino cruel e impiedoso, aqueles que já a desafiaram e tentaram livrar-se foram julgados e condenados.
            Joaquim chegava a seu destino apressado, ali naquele recinto solene era aguardado para dar explicações sobre suas idéias. Alguém tinha falado só podia, ou então como ficariam sabendo? Agora ele teria que se explicar. Assim que passou pela porta sentiu como se todos o olhassem, com um olhar viu um grupo de amigos, Tomás, Claudio Manoel, Inácio e o Joaquim S. Ele como se chamava Joaquim José era chamado por alguns amigos pelo apelido de JJ. 
Avançou pelo recinto e dirigiu-se a uma pequena porta no fundo, entrou fechou a porta e foi logo dizendo:
            — Não agüento mais isso, essa coisa tem que parar, como podemos viver assim, com esse aperto? Não dessa forma não dá é impossível.
            Ficou em silêncio alguns segundos e então, para seu espanto ouviu uma resposta.
            — Joaquim você está ficando louco, o que deu em você?
            — Não acredito que estou ouvindo isso. Disse Joaquim, que estava um pouco assustado com aquela situação. E retrucou:
            — Não vou discutir isso com você.
            — E por que não? Não somos nós os maiores interessados neste assunto?
            — Porque não ora bolas, você nem déia estar falando pra começar. Vou acabar com isso e pronto.
            — Ora J.J não seja tolo, não pode simplesmente fazer isto assim.
            Enquanto isso no salão, seus amigos estavam preocupados com o amigo,que entrou e sem sequer os cumprimentou.
            — Nem parecia o Joaquim, parecia outra pessoa. Disse Claudio Manoel.
Inácio logo retrucou:
            — Que nada ele deve ter algum outro assunto para resolver antes.
            — Cara, isso é muito sério, eu e o Joaquim S estávamos com o JJ na casa do Tomás e ele estava falando que queria dar cabo do plano de uma vez.
            — O problema. Disse Tomás — É que não se sabe como, mas o plano vazou e agora ou vai ou racha.
            Atônitos tentavam descobrir o que fazer, quando uma figura adentrou o recinto, sem fazer cerimônia foi até a mesa onde estavam, sentou-se e olhando para Joaquim S disse-lhe:
            — Então onde está o homem?
            Os outros não acreditavam naquilo, Joaquim S havia traído sua confiança. Se JJ não conseguisse se explicar tudo estaria perdido.
            — Sr Luis Antônio ele está logo ali. Disse apontando a porta para onde todos olharam.
            Por detrás da porta, uma luz fraca e fazia notar, sombras perambulavam de um lado para outro e despertavam a curiosidade dos que observavam.
            — Olha aqui, escute de uma vez por todas, eu não quero continuar a viver assim, eu simplesmente não agüento mais.
            — Joaquim pense bem no que esta fazendo. Ela tentava argumentar quando para seu espanto e dele também Joaquim interrompeu.
            — Espera ai que ainda não acabei. Acha que sou o único que estou sozinho? Não, tem mais muitos mais. Ouço reclamações todos os dias de amigos que não agüentam mais este aperto, este sofrimento constante todos os dias. Acabou.
            Os amigos de JJ estavam preocupados e Joaquim S já se levantava para chamá-lo quando a porta abriu-se repentinamente e Joaquim José atravessou correndo o salão com algo que parecia um pedaço de pano nas mãos. Surpreendeu a todos ainda mais quando com um sonoro brado fez ouvir uma única palavra:
            — LIBERDADEEEE!!!!!!
            Atirou o tal pano na lixeira e voltou-se para os amigos que o olhavam em entender. Foi até eles e antes de sentar-se olhou para todos e disse:
            — Fala sério ninguém merece aquela coisa lhe apertando as bolas, ainda mais em um dia quente como hoje, nunca mais uso uma cueca na vida.
            A gargalhada foi geral, ele olhou para seus amigos estavam todos mudos, eu chefe Luis Antônio estava olhando para o copo sobre a mesa, quando levantou os olhos e olhou Joaquim caiu no riso.
            — Eu fiz a mesma coisa no verão de 1984 no Rio de Janeiro.
            Joaquim sentou-se e então seu chefe após pedir uma rodada de chopp, quis saber que plano de marketing era aquele que ele estava traçando e sobre o qual Joaquim S havia lhe falado.
            Entre chopps e petiscos de boteco conversaram o restante daquela tarde e noite adentro. Uma noite que ficou conhecida entre os amigos como a noite da inconfidência intima e pessoal de Joaquim José.
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