07/06/2013

Uma Xícara perfeita de Café.


André entra na cafeteria apressado pela chuva fria que cai em Curitiba no mês de agosto. Em um descuido deixa que a porta bata atrás de si chamando a atenção de algumas pessoas. Tímido e sem jeito com um pedido de desculpas baixinho entre os lábios caminha em direção ao balcão e senta-se em um lugar vago la no final. Pede um café com leite. Olha para os lados pensando se alguém ainda estava prestando atenção nele, por causa daquela batida da porta, mas as pessoas pareciam entretidas em seus próprios assuntos. Uma mulher de casaco escuro que falava ao celular e tinha joias em todos os dedos de suas mãos, bebia um cappuccino. “Madame sustentada pelo marido”. Pensou. Um grupo de meninas adolescentes debruçadas sobre seus smart phones riam e falavam alto algo sobre um artista qualquer. “Essa geração inútil é nosso futuro? Estamos ferrados”. Continua vasculhando o ambiente e colocando defeito em todos. "Hábito detestável esse seu de colocar defeito em todos que nem conhece direito". Disse-lhe sua ex noiva antes de jogar no chão a aliança e ir embora. Ele dizia que não era um simples hábito e sim a habilidade de poder ver as pessoas como elas realmente são. Segue com seu escrutínio sobre o local até que em uma mesa sem ninguém, vazia exceto por uma solitária xícara de café ainda quente chama sua atenção. Era uma simples xícara com café com leite dentro, sobre a espuma do leite uma camada de canela em pó parecia dar aquele simples café algo de mágico como se fizesse parte de um filme.
—Seu café Senhor. O garçom coloca diante dele uma xícara, sobre um pires entre uma colher e um biscoito de chocolate. Dentro dela café com leite tão quente que a espuma branca que se forma ameaça sair pelas beiradas da xícara, mas no seu não havia canela. Olha para os lados pode notar que todos os presentes tem em suas mesas um conjunto de louça branca parecido com o seu, com cafés, chocolates, capuccinos, todos quentes e fumegantes enchendo o ambiente com aroma de café e especiarias. “Aposto que todo mundo pediu canela, gente sem criatividade”. Pensou, apesar de não conseguir ver quais tinham ou não aquela linda camada de canela que estava ausente sobre o seu.
Um trovão assusta algumas pessoas enquanto André olha para aquele café solitário, esfriando ao lado da janela, onde gotas de chuva correm apressadas pelo vidro. Enquanto isso o café continua lá fumegando como se fora colocado sobre a mesa depois do seu. O seu parecia fazer menos fumaça, parecia mais frio, será por que no seu faltava a camada de canela? Seria tarde para pedir? Onde estaria o dono daquele café? Devia estar no banheiro, pois se tivesse ido embora teriam retirado o café da mesa e ele poderia estar sentado ali, aquela mesa perto da janela era melhor que sentar no balcão. No balcão parecia que estava em um boteco e seu banco era alto demais, fazendo-o ficar encurvado. Naquela mesa ele poderia ficar mais confortável poderia ver o movimento na rua e as gotas de chuva na janela e seu café não seria como o que tinha em sua frente, que já havia esfriado e ele nem dera a primeira provada, seria como aquele que fora servido antes e ainda fumegava, sua fumaça subia até o teto de tão quente. No teto ele poderia apostar que ela embaçava os vidros dos lampiões antigos que decoravam o lugar. Pegou sua xícara levou a boca, não provou, parou antes de beber, não conseguia parar de olhar mesmo com o canto do olho, aquele café na outra mesa que parecia incrivelmente melhor do que o seu.
Já pensava em pedir a canela ou até mesmo outro café quando uma porta se abriu logo atrás do balcão, uma jovem loira, alta e elegante como uma atriz de cinema caminha sorrindo em sua direção enquanto conversa com alguém. Ambos passam pelo balcão e se dirigem para aquela mesa.
—Acho que meu café já deve ter esfriado. Comenta a jovem enquanto pega a xícara.
—Pode pedir outro, a culpa é minha mesmo por ter te segurado no escritório. Diz o homem enquanto acena para o garçom.
—Não tudo bem ainda está quente. Ela nem percebe que no balcão um homem olha para ela sem saber qual delas admirar, se a moça ou seu café. Ele diz a si mesmo que fazia muito sentido que aquele café fosse pertencesse a uma mulher bonita como ela, mas ao perceber que em apenas dois ou três goles ela bebe todo o café como se não desse nenhuma importância, como se tomar cafés perfeitos como aquele fizesse parte de seu cotidiano, ele sente uma grande frustração. "Garota mimada" pensou. "Sim, mimada e ainda pior, cheia de vontades acostumada a todos fazendo tudo o que ela quer a todo tempo, por isso nem se dá conta de que aquela caneca de café era perfeita". Perfeita demais pra ser tomada de forma tão displicente. O mundo é assim mesmo, hoje em dia ninguém da valor a nada, só se importam consigo, sem prestar atenção ao redor. Olha seu café sobre o balcão e sem nem ao menos tocá-lo ele se levanta e vai embora. Ao sair deixa a porta bater novamente, chamando a atenção de algumas pessoas incluindo o garçom que estranha o fato do cliente ter saído sem ter sequer provado seu café, deixando-o ainda quente sobre o balcão. E enquanto caminha debaixo da chuva fria, irritado por ser o único a perceber a beleza e a sutileza que existe no mundo, André não consegue ouvir uma exclamação da moça na cafeteria.
—Que delícia de café!






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03/06/2013

Tente Outra Vez.

Como dizia Raul, " Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus tenha fé na vida.....". Depois de quase dois anos de abandono completo estou aqui de novo escrevendo para meu blog, que começou simples, ficou complicado e depois simples de novo. Se alguém me perguntasse o por que desses dois anos sem publicar nada aqui eu não sei se saberia responder. Não sei se por bloqueio criativo, se por preguiça ou por medo. Tudo o que sei e posso afirmar com certeza é que eu estou aqui escrevendo mais um post. Sem grandes pretensões, sem muito planejamento, apenas tentando outra vez, não que algum dia tenha desistido de tentar ser escritor, não é isso, mas cheguei a pensar que eu não poderia vir a sê-lo. Como se para ser escritor houvesse um vestibular dificílimo ode apenas pouco eleitos conseguem êxito. Felizmente ou infelizmente não há, só  que há é o desejo de escrever concretizado em um papel ou tela de computador, pois em meu modesto entendimento eu sou escritor no momento em que escrevo, assim como alguém é jogador de futebol no momento em que entra em campo. Ser um jogador profissional ou no meu caso um escritor publicado por uma editora (algo que espero ser no futuro), ai já é outra história.
Independente de ser ou não publicado algum dia, decidi que eu sou um escritor, mesmo que faça um concurso para técnico bancário para pagar as contas,  ou mesmo que jogue um ou outro torneio de pôquer on line de vez em quando. Eu sou escritor e resolvi voltar a escrever não somente aqui no blog, mas também em alguns concursos literários.
Assim sendo espero que tenham sentido minha falta e espero mais ainda que fiquem felizes porque eu agora decidi não tentar outra vez, mas sim realizar um sonho que não tenho o direito de deixar para trás.
Desejo coragem para todos aqueles que empreendem sua jornada por estradas muitas vezes escuras e solitárias, pois a coragem é o primeiro teste do caminho.
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04/07/2011

Um recado de São Francisco de Assis pelos amigos bichos que se foram.

Esta oração é para Totó, que foi uma grande amiga por longos 17 anos, que sempre alegrou a todos que a conhceram.
Adeus querida..agora você vai brincar com a Boninha no céu.

Sei que uma lágrima de dor escorre dos teus olhos
agora e no dia em que o teu irmão se foi,  e se afastou
de ti e se aproximou de Deus.
Todavia, dou-te uma nota feliz neste dia tão triste:
Jamais Deus teria sido injusto com os animais!
Por isso, não importa quem está nascendo ou morrendo,
 há sempre alguém chamando por ti,
Então, VIVA!

Agora mesmo, neste exato instante em que choras,
 teu bicho estimado segue e evolui…
Brilha na imensidão do espaço e volta, manso, ao seu
aconchego das almas!
Com tua mania racional, teimas continuar duvidando…
Mas nada importa, senão continuar VIVER.

As hostes dos anjos e Francisco
cuidam das luzes em pêlos
e preparam suas patas para uma nova vida.
Enxuga assim teu rosto e acredita!
Fizeste a parte que te cabe neste mundo.
Que um sonho jamais termina num último miado
e nem tampouco se pode calar os latidos de um dia…
Então podemos sonhar novamente…

E VIVER!

É que o Criador adora as suas crias!
E deixa que elas permaneçam sempre vivas,
na memória de quem fica ou mesmo até que um
Novo homem se forme!

Porque os anjos têm asas como as aves.
Porque os homens têm pelos como os bichos.
E todos nós temos alma como Deus!

Seja nos quintais, nas árvores ou nos rios!
Seja nos mares, nas florestas ou nos lares!
De uma vez por todas:  Sempre estaremos VIVOS!
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04/02/2011

Londres de Elisabeth.

Elisabeth é uma jovem que caminha sozinha pelas ruas de Londres, vestindo um colete negro sobre um vestido roxo de mangas longas e um pequeno chapéu, trajes que em nada denunciam sua forma de ganhar a vida, ela é uma prostituta e está a caminho do “Cordeiro”, um conhecido prostíbulo entre os mais de 62 em Whitechapel na Londres de 1880.

Ela não se importava em ser prostituta, claro que havia inconveniências, como um ou outro cliente abusado ou violento, ou sujo. Pelo menos o Cordeiro não era o pior lugar da cidade, não deixavam entrar nem chineses, negros e nem indianos. Uma vez um chinês entrou e levou uma surra da qual ainda não há de ter se esquecido. E claro de vez em quando um cliente legal aparecia, algum jovem carinhoso e rico, algumas vezes até levavam-na para casa de carruagem.

Ganhava seu dinheiro, era pouco, mas em um país de desempregados, protitutas e imigrantes mortos de fome. Dizia a si mesma que tinha sorte.

Continuou caminhando, não muito depressa, tinha algum tempo e estava uma agradável tarde de outono. Passou por um teatro, onde as carruagens logo começariam a desfilar trazendo os espectadores e admiradores de teatro para verem mais uma peça. Não sabia disso por freqüentar teatro, mas por que os freqüentadores, geralmente distintos cavalheiros que deixavam as esposas em casa depois da peça e se dirigiam para o Cordeiro, para encenar outro tipo de peça na qual eles não se contentavam em apenas assistir.

Passou por alguns chineses que carregavam uma carroça, sentiu um pouco de asco, não gostava muito daquela gente estranha, apesar de confessar a si mesma certa curiosidade em saber como eram na cama, mas assim como eles não eram bem vindos onde trabalhava, ela também não iria ao bairro chinês, pois as prostitutas chinesas a matariam, não valia o risco não gostava deles mesmo. Gostava dos italianos e dos franceses, achava-os mais agradáveis.

Já a algumas quadras do Cordeiro, uma colega veio em sua direção.

—Liz você não sabe o que houve hoje.

—O que?

—Aquele seu cliente irlandês, David, foi morto pela polícia.

—Serio? Que pena, eu até gostava dele, claro quando não estava resmungando sobre a independência da Irlanda do Norte e sobre o tratado de unificação de 1800.

As duas riram.

—Verdade seja dita ele era melhor de boca fechada, mas o que ele fez?

—Parece que o pegaram com uma grande quantidade de pólvora, acham que estava planejando algo, um ataque ao parlamento talvez.

—Imagine só o Dave, eu que achei que ele não era de nada quando estava sóbrio.

Riram novamente.

—O lado bom de morar na maior cidade do mundo é esse, tem todo tipo de gente aqui, mas o lado ruim é também o fato de que tem todo tipo de gente por aqui. Falou, enquanto cruzavam uma rua escura, tinha uma sensação estranha sempre que passava pela Rua Berner.

Nota do Autor: Este conto foi escrito para um desafio de literatura, ambientado na Londres de 1800, alguns anos antes do evento atribuídos ao assassino serial conhecido como “Jack o Estripador”, que atuou no condado de Whitechapel na segunda metade de 1888, próximo em ruas como a Berner.

O desafio de literatura do qual participei chama-se “Desafio dos Escritores” organizado pelo site “Literatura de Câmara” (http://literaturadecamara.sites.uol.com.br/).

O texto acima foi publicado na primeira semana do 6° Deafio “desafio de verão” de janeiro deste ano.

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28/01/2011

Aviso para quem visitar a minha casa!!

1. Seja bem-vindo.

2. Lembre-se de que os cachorros vivem aqui. Você não.

3. Se você não quer pêlos de cachorros em suas roupas, fique longe dos móveis.

4. Sim, os cachorros têm hábitos desagradáveis. Eu também, assim como você. E daí?!

5. CLARO que eles cheiram a cachorros. Já percebeu como nós, humanos, cheiramos ao final de um dia de trabalho? Coloque-se no lugar de alguém que tem um olfato 400 vezes mais sensível que o seu e sempre o receberá com explosões de carinho no retorno ao lar.

6. É da natureza deles tentar cheirar você. Por favor, sinta-se à vontade para cheirá-los também.

7. Se existisse algum risco dos cachorros mordê-lo, eu não os deixaria se aproximar de você. Porém, não posso impedi-los de responder a agressões, as quais podem ocorrer até em pensamento, seja para com eles, seja para comigo a quem devotam fidelidade. Os cachorros percebem, tenha certeza.

8. Você já tentou beijar alguém e recebeu em troca um empurrão? Se um cachorro tentar lambê-lo é porque aprova sua presença e quer demonstrar isso carinhosamente a você; e lembre-se que cachorros não mentem ou fingem.

9. Aqui cachorros recebem devidos cuidados veterinários, alimentação sadia e cuidados higiênicos. Sua companhia é altamente recomendada pelos médicos, e a maioria das doenças que contraímos ao longo da vida com certeza nos são transmitidas por outros humanos.

10. Há diversas situações nas quais cachorros são preferíveis a pessoas. Afinal de contas, sempre podemos confiar inteiramente em sua fidelidade e sinceridade.

11. Para alguns eles são simples cachorros. Para mim são filhos adotivos que andam de 4 e não falam tão claramente. Eu não tenho problema em nenhum desses pontos. E você?

12. Volte sempre que quiser, pois será bem-vindo. Até pelos cachorros. Eles são mais sensíveis que nós, bastando se aproximar para distinguir com clareza verdadeiros amigos de pessoas falsas.

AUTOR DESCONHECIDO.

Retirado do site da sociedade protetora dos animais de curitiba:

http://www.spacuritiba.org.br/

Link para a página: http://www.spacuritiba.org.br/novo/mural_pt.html

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